Um buraco no monte

Diablo Crater

 
Diablo Crater, Arizona, USA

Em Portugal, muito do que é vestígio do passado, daquele muito remoto, tende mesmo a cair no esquecimento, como o tempo por regra se encarrega de provar. E muito desse património, por mero abandono, vai sendo vítima da erosão, do descuido e da passividade. Desde grutas a necrópoles, antas, calçadas romanas, pontos de interesse geológico até aos inúmeros castros que já ninguém sabe onde ficam, a lista é extensa.

Para quem tenha interesse em contabilizar estes exemplos, basta dar um saltinho até ao link: www.igespar.pt e pesquisar em “património”, funcionalidade esta bem útil e meritória por ser bastante completa e pormenorizada. Mas em Portugal ser proprietário de terrenos onde se encontrem vestígios deste tipo pode dar muitas dores de cabeça e tantas outras chatices burocráticas, que não passam com uma simples aspirina.

Seria bom conciliar mais os interesses privados e públicos, de uma forma razoável, para estimular os próprios privados a proteger, conservar, recuperar e até explorar comercialmente ou turisticamente esse património. Os impedimentos a isto são bastantes, como se sabe.

Como antítese desta nossa condição vale a pena olhar para um exemplo estrangeiro, a título de curiosidade e para reflectir sobre o assunto. Este exemplo vem do estado do Arizona, nos Estados Unidos da América, onde existe uma cratera criada pelo impacto de um meteorito há cerca de 50 000 anos atrás.

Esta cratera, também apelidada de Diablo Canyon (ou Barringer Crater) impressiona pelo facto de ter 1,5 km de diâmetro, mais de 170 metros de profundidade e um anel circundante com cerca de 45 metros de altura. O local onde se encontra ajuda à sua mística, já que se trata do deserto do Arizona onde a terra e as rochas têm tons de um vermelho marciano, criando a ilusão de que nos encontramos verdadeiramente noutro planeta.

O meteorito que impactou nesse local, e de que ainda restam alguns pedaços consideráveis, tinha mais de 30 toneladas e era constituído sobretudo por ferro. Tudo isto para dizer que de facto estamos perante património natural valiosíssimo.

Curioso é o facto de esta cratera ser propriedade privada, da família Barringer, dona de uma vasta área naquele local que explora turisticamente através da Barringer Crater Company. O que seria equivalente a termos por cá um sociedade comercial proprietária de património natural tão valioso como por exemplo a Lagoa das Sete Cidades. Algo impensável, claro.

Mas se há dezenas de milhares de anos um meteorito tivesse visitado terras hoje lusitanas (até nisso os americanos têm sorte…) a verdade é que talvez a burocracia, o desleixo e a passividade se encarregassem de transformar esse património naquilo a que muita gente iluminada chamaria apenas de um buraco no monte.

Para quem pretender saber mais sobre o assunto:

http://www.meteorcrater.com/

http://www.barringercrater.com/

http://www.youtube.com/watch?v=_M2X99D_RLY

Explore posts in the same categories: Interessante

Deixar um comentário

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Modificar )

Imagem do Twitter

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Modificar )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Modificar )

Connecting to %s


Seguir

Get every new post delivered to your Inbox.